sábado, 28 de março de 2009

Pseudo-Burgueses


Certo dia a professora entra na sala de aula e propõem aos alunos uma certa brincadeira, eles iriam montar uma pequena cidade na sala de aula e cada um dos alunos deveriam escolher uma profissão para representarem então ela pergunta a cada um deles o que eles gostariam de ser quando crescerem. Ela obtém as mais variadas respostas, empresários, artistas (da rede Globo é claro), médicos (nenhuma deles estava pensando em fazer serviços comunitários), entre outras profissões de sucesso e renome. Ela responde a estes alunos que então eles deveriam estudar bastante para que conseguissem alcançarem seus objetivos, terem as profissões de seus sonhos para terem uma “vida boa”, um bom casamento, uma casa, um carro e os bens de consumo mais variados para manterem um bom padrão de vida. Mas uma das alunas responde que gostaria de ser professora, ela então olha para essa aluno com uma cara de surpresa e então responde a esta da seguinte maneira: - Professora?! Mas porque você quer ser professora? Professora não ganha dinheiro, não fica rica, tem que pagar aluguel e pegar condução, professora não tem prestigio ou reconhecimento, vamos fazer o seguinte, vamos escolher outra profissão para você brincar...

Com essa pequena história podemos nos perguntar, que tipo de vida nós levamos? Desde cedo somos impreguinados e inculcados com uma forma de pensar que não pertence a maioria da população existente no país, vivemos o sonho de vida burguês, um modo de vida voltada para a acumulação de capital.

Na pré-escola as crianças tem os sonhos descritos acima, mas com o passar do tempo a dura realidade vai se apresentando a ela então se percebe o quanto é difícil tornar realidade seus sonhos ( de consumo), assim ela se foca em outras escolhas para que pelo menos possa tentar levar uma vida próxima daquela sonhada.

Não temos uma educação voltada para a emancipação do aluno ou para a construção de seu caráter humanístico, e sim para a formação de mão-de-obra para o mercado de trabalho, basta ver a proliferação de cursos tecnológicos, onde se tem uma formação rápida e especializada para aquele tipo de trabalho (consertar a engrenagem A da máquina B para um tipo de industria C), já visando lançar esse individuo preparado para o mercado de trabalho. Preparado dessa forma ele ira conseguir um trabalho facilmente, onde ele terá um salário razoável, um uniforme, horários, alguém para lhe cobrar e lhe dar ordens, assim ele poderá atingir uma parcela de seus sonhos, poderá se casar, ter uma casa, um carro, uma pseudo-familia burguesa perfeita (e provavelmente nunca se questionara sobre como ele sonhou em ter “tudo isso”).

O problema é que somos condicionados a viver este tipo de vida, e não a questiona-lo, por uma minoria que controla toda a sociedade. Não somos formados para sermos cidadãos participativos, para lutarmos por nossos direitos, somos formados para submetermo-nos a esse tipo de controle, que se utiliza do trabalho e do inculcamento da moral burguês-cristã, sermos honestos(e fieis), termos uma família, não possuir vícios e trabalhar (pois o trabalho “dignifica” o homem [comum, e enriquece o verdadeiro burguês]).

Temos que ter consciência de que não somos burgueses, esse padrão de vida imposto não se enquadra a toda população, vive-la apenas enfraquece a luta por uma sociedade mais justa, reforçando assim cada vez mais esse ciclo de controle social, vive-se uma desproliterarização, uma perda de consciência de classe, todos querem se tornar burgueses, ostentar um grande padrão de vida, mas esse tipo de pensamento não vai fornecer as ferramentas necessárias para essa obtenção, pois ele só afirma o ciclo, então o individuo se depara com apenas o desejo e o sonho, a vontade de ter (já que ele foi modelado para ser assim) e não conseguir, o voraz mercado de trabalho se especializa cada vez mais segregando aqueles que não conseguem (e muitas vezes não disponibilizam de meios) acompanha-lo. Assim temos uma grande massa desempregada, querendo vivendo o sonho de vida burguês e buscando a maneira mais fácil de alcançá-lo.

Bom eu não pretendo com isso legalizar qualquer tipo de crime, mas sim questionar a parcela de culpa da própria sociedade na criação do mesmo e o quanto estamos impreguinados desta moral que sobre meu ponto de vista não possui qualquer identidade com a maior parte da população, pois afirmando-a estamos reforçando a individualidade e conseqüentemente negando o outro e dessa forma sempre seremos controlados nunca atingindo uma sociedade mais justa e igualitária, continuaremos vivendo olho por olho, dente por dente, manda quem pode mais, e eu garanto que nem eu, nem você que teve a paciência de chegar ate aqui, conseguir sobreviver nesse mar sem retomarmos uma consciência de classe.

terça-feira, 24 de março de 2009

A Proletarização do Docente



A educação sempre teve um grande papel na construção da sociedade moderna, erigindo pilares importantes para a emancipação do cidadão e o progresso social. Tem-se em mente sua necessidade e importância, mas também seu caráter de controle social, caráter este que muitas vezes acaba sobrepujando seus demais aspectos.

O Estado cada vez mais acentua essa característica, basta analisarmos as políticas educacionais atuais, a imposição dos temas e conteúdos em determinada ordem, a progressão continuada, entre outras. Estas políticas só nos mostram o quanto à autonomia do professor se perde no meio educacional, perda esta que deveria ser questionada pelos docentes, mas que cada vez mais vem sendo absorvida pelos mesmos, pois o Estado dispõem de mecanismo de controle que acabam suprimindo este questionamento. A autonomia pessoal do professor se depara com a divisão hierárquica do trabalho, gerando uma redução do trabalho intelectual e social, explicitando a subalternidade estrutural do trabalho vivo ao capital.

Na escola o professor vem cada vez mais se desprofissionalizando, perdendo seu caráter educativo, e assumindo-se como um transmissor de conteúdo, ou seja, seu trabalho não é mais ensinar, questionar, fornecer ao educando as ferramentas necessárias para entender a realidade e pensar de forma crítica, mas sim a de transmitir o conteúdo do livro didático. Um dos “porquês” dessa desprofissionalização esta intimamente ligada a constante desvalorização da profissão do docente, os baixos salários e as condições precárias de trabalhos (salas mal conservadas com muitos alunos, pouco, ou quase nenhum material) agravam ainda mais esta questão. Assim o professor muitas vezes acaba buscando varias aulas, para melhorar sua renda financeira, o que o impede muitas vezes de prepará-la adequadamente e de atualizar seu conhecimento (o livro didático se torna sua principal ferramenta). Dessa forma ele transmite ao educando apenas o conteúdo, como uma única verdade, deixando de lado a capacidade critica do mesmo.

Umas das ferramentas do Estado têm sido os bônus que ele fornece aos professores que trabalhem todo o conteúdo proposto e reprovem poucos alunos (ou nenhum, mesmo que eles não possuam o conhecimento necessário para avançarem), ou seja, o Estado desvaloriza este profissional e posteriormente o incentiva financeiramente a trabalhar de acordo com suas exigências, isto é a completa anulação da autonomia do docente, ser professor se torna um mero meio de vida. As singularidades das individualidades pessoais de classe se perdem, é à força de trabalho do professor se transformando em mercadoria, não se é mais professor, esta-se professor. Assim assume-se uma condição de proletariedade do docente.

Esta proletarização não afeta somente o professor, ela acaba também por atingir o educando, pois este não terá acesso a educação básica necessária primeiramente para sua construção social e posteriormente para sua formação profissional. Sem uma capacidade crítica e reflexiva essa condição ira se reproduzir indefinidamente. Assim cabe primariamente ao docente tomar consciência de sua condição para que essa reprodução se rompa, ou seja, a formação do docente se torna uma das chaves necessárias para que se possa reverter essa condição de proletariedade e que haja uma renovação no sistema de ensino, pois só assim poderemos almejar uma sociedade mais igualitária e consciente.

ANALFABETOS POLÍTICOS


É impressionante, como nos dias de hoje o brasileiro ainda se manifeste como um ser apolítico, diz que não se envolve com política, porque só tem “bandidagem”, reclama que o horário eleitoral atrapalha a novela das 8, e nem se lembra do ultimo deputado em que votou, mas esquece que ele é um ser político, e que na sociedade em que vivemos a política per maneia tudo e a todos, não existe assim nenhum individuo apolítico e sim analfabetos políticos. Para que concretize uma verdadeira democracia (não esta pseudodemocracia, que vivemos e que o Governo insiste em dizer que é uma verdadeira democracia, pois temos o poder do voto), onde somos realmente representados e temos uma participação ativa na vida política, é necessário antes de tudo que se consciência dessa condição ultrajante de analfabetos políticos. Abaixo um pequeno texto de Bertolt Brecht, escritor alemão, que exprerssa tão bem essa condição...


O Analfabeto Político


O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa
dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, pilantra,
o corrupto e lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.


Bertolt Brecht

sábado, 21 de março de 2009

Indiferentes (Gramsci, Antonio.La Cittá futura.Turim 1.917)

" Odeio os indiferentes.Como Federico Hebbel, acredito que "viver quer dizer tomar partido". Não podem existir os apenas homens, os estranhos á cidade.Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário.Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida.Por isso, odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história.É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte da qual frequentemente se afoga os entusiasmos mais esplendorosos.(...)
A indiferença atua poderosamente na história .Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que se confunde com os programas, que destrói os planos bem construídos . É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca.O que acontece, o mal que abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto á iniciativa dos poucos que atuam, quanto á indiferença de muitos. O que acontece não acontece porque alguns o queriam, mas porque a massa dos homens abdica de sua vontade, deixa fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar ; deixa promulgar leis que , depois, só a revolta fará anular;deixa subir ao poder homens que , depois , só uma sublevação poderá derrubar.(...)
Os atos amadurecem na sombra porque mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso . Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, porque não se reocupa."

Palestra do Prof.do Filosofia Mário Sérgio Cortella "Não Nascemos Prontos!"

http://www.youtube.com/watch?v=89BMhivvRFE

http://www.youtube.com/watch?v=ome3uj0PjlA

http://www.youtube.com/watch?v=ggvx6c-_yJk

http://www.youtube.com/watch?v=i-Oifx9oEcU

quarta-feira, 11 de março de 2009

Dia internacional da mulher, parabéns para quem?!?!



"No Dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).Objetivo da Data Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história."
E essa passa a ser apenas mais uma data para o comércio obter lucros, e esquecendo assim, como todas as outras datas "festivas", o verdadeiro motivo e valor para que se tornou um feriado para se "comemorar", apesar de não ser uma data que gere tantos lucros, como o Natal, a Páscoa, o dia das crianças etc., parece um dia comum, no máximo algum comércio ou igreja presenteia as mulheres com uma relis rosa. Será que nós mulheres não merecemos algo mais digno, a altura de nossa importância, como respeito?!? Se depender da alienação e do conformismo da maioria de nós acho que não, pois o que seria da humanidade se nós decidíssemos "fechar as portas"da reprodução?!? Homens tem vantagens sim, não menstruam, não precisam se preocupar com nada como absorventes, pílulas, (e estas coisas que só nós sabemos como irrita), ainda ganham mais em muitos trabalhos, não sofrem preconceitos e nem insultos por serem "inferiores" (como dizem que somos), não se sentem como aquelas televisões de cachorro,(aquelas com frango que os cachorros ficam hipnotizados) ao passarem perto de homens com mínimo de respeito e descaramento, dentre muitas outras coisas. Mas os fardos que somos obrigadas a carregar a gente encara numa boa, pois imaginem se trocassem, os homens fariam nossos papéis, será que eles conseguiriam?!? Pois apenas umas gripe consegue derrubar qualquer brutamontes do sexo oposto. Nós não temos ideia do nosso "poder" e de como somos peças fundamentais para a humanidade, só temos que nos valorizar, nos respeitar e assim tomarmos o nosso lugar frente a tudo que nós fossemos capazes de enfrentar, como a presidência e outros cargos "manipulatórios" e decisivos para o mundo. Mulheres de todo o mundo, uni-vos.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Geração Coca-cola

Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês nos empurraram
Com os enlatados dos USA, de 9 às 6.
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola.
Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser?
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis.
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola.
Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser?
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis.
(Geração Coca-cola - Legião Urbana)

Salve Chico!!!


Ser humano ser consumista?!?!


Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou umas das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo.O consumismo, por parte da sociedade, é o ingrediente essencial para o mundo capitalista. Para existir o capitalismo é preciso que exista quem consuma, ou seja, um público consumista. Para que sempre exista uma sociedade consumista, é preciso que haja algo que induza a sociedade a consumir e para isso, criou-se a publicidade ou marketing. Hoje todos que são manipulados pelas mídias de massa, são estimulados a consumir de um modo desenfreado. E consomem, sentem prazer em estar cada vez mais acumulando bens materiais. E para que?!?Para quem?!?Em nossa busca eterna por estímulos que nos ajude a satisfazer as nossas ansiedades e desejos, desperdiçamos e consumimos sem nunca alcançarmos a plena satisfação. Quando um novo carro nos tornou permanentemente felizes? Um novo celular? Uma nova roupa? Para a lógica capitalista de produção, o seu principal objetivo é o de atender ao consumidor e estimular suas necessidades artificiais. Consumidor neste contexto exerce o papel daquele que é dotado de poder aquisitivo, capaz de comprar mercadorias. Nesta lógica, presumo que aqueles que não possuem esta poder são denominados de excluídos ou marginais, visto que estão à margem do objetivo da sociedade capitalista.O império das ilusões faz com que os objetos percam a sua função real para se relacionar com a imagem ilusória da realização. É triste saber que o ser humano só está inserido na sociedade se compartilhar dos mesmos produtos que os demais. Cultuamos o efêmero, pois se compra sempre e troca-se facilmente de opinião e necessidade, nosso habitat são os shopping centers, e a discriminação social tem sido o principal mal da humanidade.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado á idéia de devorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas, furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca, são muito mais comuns e frequentes, foi porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
Para que se consiga realmente esta cultura, que nossa luta não seja, uma vez mais, feita de palavras vazias, abstrações ou efemeridades, mas, precisamos nos colocar por inteiro juntando as partes amputadas pela dominação e autoritarismo daqueles que exercem o poder pelo que tem e não pelo que são.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Temos direito de ser Iguais

Liberdade, Igualdade e Fraternidade, os belos ideais da Revolução Burguesa na França, pecou por abranger apenas um lado da moeda.

Qual o motivo de tanta desigualdade? Uma pergunta áspera , mas que já foram muitas vezes respondidas tanto pelo discurso da esquerda quanto pelo discurso da esquerda, e é claro que sempre acaba dando cada vez mais “pano para manga”, e sempre continua em nossas reflexões, afinal parece ser um problema sem solução.

Pois bem... vamos a ele.

Qual o discurso do Direito e das religiões Cristãs? Somos iguais perante as leis tanto as terrenas quanto as divinas, certo? Sendo assim onde esta a igualdade? Tudo que temos é uma igualdade abstrata que não funciona, aqui na Terra ou no Paraíso(bom nesse ultimo é apenas uma suposição afinal nem eu nem ninguém vai consegui provar qualquer coisa em relação a isso, apesar que o discurso de algumas religiões é simplesmente de que se você não fazer parte da mesma você já está automaticamente no inferno, ou seja não importa sua conduta aqui, então sendo assim aproveite o máximo que puder!). Todos têm os mesmos direitos e deveres, estão lá ratificados pela constituição. Mas quem criou essa constituição? Com certeza não foi a maioria, mas sim uma minoria eleita por essa maioria (que caia entre nós – no Brasil principalmente – não possui uma grande consciência critica) que provavelmente não estaria se importando (pelo menos o quanto deveria) com essas pessoas que são a maioria.

Portanto o que existe é na verdade uma pseudoigualdade, onde uns são mais iguais que outros e somente poucos se vêem beneficiados por essa igualdade. É como a idéia do liberalismo econômico, todos somos livres para possuir a propriedade privada e enriquecer, mas na verdade quem são os que dispõem dos meios necessários para tal? Com certeza não é toda a população.

Se perante as leis somos iguais, então qual o motivo de sermos julgados de maneira diferente? É tão grande a diferença entre desvio e apropriação indébita do furto? Ou é só uma maneira elegante de tratar aquele deputado ou empresário, afinal o status do qual ele goza necessita de mais pompa do que um reles ladrão de galinha. Este problema se dissemina cada vez mais, e a sociedade absorve essas arbitrariedades com a maior facilidade, tornando-se cada vez mais parte desse sistema. Quem nunca foi testemunha de algum descaso feito a uma pessoa por esta não dispor de um status que a sociedade rotulou como importante? Isto acontece diariamente em todos os setores e muitas vezes acabam ferindo muitos direitos que os cidadãos possuem como o direito a saúde ou o de ir e vir. No fim a própria sociedade decide arbitrariamente o grau de igualdade e diferença entre as pessoas.

O homem só será igual quando ele efetivamente se reconhecer como tal, quando ele deixar de lado suas atitudes egoístas e olhar ao seu redor, percebendo que o mundo vai além do meio onde ele vive. Talvez assim seja possível construir uma sociedade realmente igualitária onde existe um existe um povo mais ativo, onde as leis visam o bem estar e a liberdade de todos, não apenas de uma parte da sociedade.