sábado, 21 de março de 2009

Indiferentes (Gramsci, Antonio.La Cittá futura.Turim 1.917)

" Odeio os indiferentes.Como Federico Hebbel, acredito que "viver quer dizer tomar partido". Não podem existir os apenas homens, os estranhos á cidade.Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário.Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida.Por isso, odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história.É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte da qual frequentemente se afoga os entusiasmos mais esplendorosos.(...)
A indiferença atua poderosamente na história .Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que se confunde com os programas, que destrói os planos bem construídos . É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca.O que acontece, o mal que abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto á iniciativa dos poucos que atuam, quanto á indiferença de muitos. O que acontece não acontece porque alguns o queriam, mas porque a massa dos homens abdica de sua vontade, deixa fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar ; deixa promulgar leis que , depois, só a revolta fará anular;deixa subir ao poder homens que , depois , só uma sublevação poderá derrubar.(...)
Os atos amadurecem na sombra porque mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso . Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, porque não se reocupa."

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