A educação sempre teve um grande papel na construção da sociedade moderna, erigindo pilares importantes para a emancipação do cidadão e o progresso social. Tem-se em mente sua necessidade e importância, mas também seu caráter de controle social, caráter este que muitas vezes acaba sobrepujando seus demais aspectos.
O Estado cada vez mais acentua essa característica, basta analisarmos as políticas educacionais atuais, a imposição dos temas e conteúdos em determinada ordem, a progressão continuada, entre outras. Estas políticas só nos mostram o quanto à autonomia do professor se perde no meio educacional, perda esta que deveria ser questionada pelos docentes, mas que cada vez mais vem sendo absorvida pelos mesmos, pois o Estado dispõem de mecanismo de controle que acabam suprimindo este questionamento. A autonomia pessoal do professor se depara com a divisão hierárquica do trabalho, gerando uma redução do trabalho intelectual e social, explicitando a subalternidade estrutural do trabalho vivo ao capital.
Na escola o professor vem cada vez mais se desprofissionalizando, perdendo seu caráter educativo, e assumindo-se como um transmissor de conteúdo, ou seja, seu trabalho não é mais ensinar, questionar, fornecer ao educando as ferramentas necessárias para entender a realidade e pensar de forma crítica, mas sim a de transmitir o conteúdo do livro didático. Um dos “porquês” dessa desprofissionalização esta intimamente ligada a constante desvalorização da profissão do docente, os baixos salários e as condições precárias de trabalhos (salas mal conservadas com muitos alunos, pouco, ou quase nenhum material) agravam ainda mais esta questão. Assim o professor muitas vezes acaba buscando varias aulas, para melhorar sua renda financeira, o que o impede muitas vezes de prepará-la adequadamente e de atualizar seu conhecimento (o livro didático se torna sua principal ferramenta). Dessa forma ele transmite ao educando apenas o conteúdo, como uma única verdade, deixando de lado a capacidade critica do mesmo.
Umas das ferramentas do Estado têm sido os bônus que ele fornece aos professores que trabalhem todo o conteúdo proposto e reprovem poucos alunos (ou nenhum, mesmo que eles não possuam o conhecimento necessário para avançarem), ou seja, o Estado desvaloriza este profissional e posteriormente o incentiva financeiramente a trabalhar de acordo com suas exigências, isto é a completa anulação da autonomia do docente, ser professor se torna um mero meio de vida. As singularidades das individualidades pessoais de classe se perdem, é à força de trabalho do professor se transformando em mercadoria, não se é mais professor, esta-se professor. Assim assume-se uma condição de proletariedade do docente.
Esta proletarização não afeta somente o professor, ela acaba também por atingir o educando, pois este não terá acesso a educação básica necessária primeiramente para sua construção social e posteriormente para sua formação profissional. Sem uma capacidade crítica e reflexiva essa condição ira se reproduzir indefinidamente. Assim cabe primariamente ao docente tomar consciência de sua condição para que essa reprodução se rompa, ou seja, a formação do docente se torna uma das chaves necessárias para que se possa reverter essa condição de proletariedade e que haja uma renovação no sistema de ensino, pois só assim poderemos almejar uma sociedade mais igualitária e consciente.

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